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  • Writer's pictureAndré Iaconelli

Search Funds São Destaque no Valor

Updated: Dec 19, 2022


Os chamados "search funds" ganharam tração no Brasil entre 2020 e

2021, segundo um estudo da Universidade Stanford, nos EIJA, lançado

neste segundo semestre. Dos 12 veículos estruturados desde 2016 no

pals, 5 foram montados nos últimos dois anos, mostra a pesquisa.

O search fund - que poderia ser traduzido livremente do inglês como

"fundo de busca" - é um veículo constituído por investidores para

procurar e comprar uma empresa com potencial de crescimento. Esse

tipo de estrutura une capital de risco e empreendedorismo.


Embora se assemelhe em termos de objetivos ao "venture capital", esse

tipo de operação tem uma diferença: o search fund, em geral, compra

100% do neg6cio, enquanto o VC costuma adquirir participação na

companhia investida. Após a aquisição, investidores previamente

escolhidos dentro do grupo se tornam "mentores" da companhia e

lideram o projeto para impulsionar o crescimento.


São investimentos que, na média, levam de seis a dez anos até a saída do

fundo, pela venda a um private equity ou com uma abertura de capital. A

pesquisa de Stanford aponta para uma taxa global de retorno médio

interno anualizado, no período entre 2009 e 2021, de 35,3%.


No Brasil, a mais recente aquisição do género foi consolidada no fim de

setembro, com a compra da empresa Quick Soft pelo search fund da

Tractus Capital. Na operação, o fundo adquiriu o controle da companhia,

mas manteve o fundador Énio Lindner como acionista minoritário e

conselheiro.


O Tractus faz parte da safra de search funds no Brasil criada em 2020.

Segundo o socio da SFCB, Guilherme Bruschini, especialista em search

funds e que estruturou o primeiro veiculo do género no pais entre 2015 e

2016, a aquisição ocorreu apos a análise de mais de 3 mil candidatas å

compra. "A ideia nessa operação é consolidar o negócio para depois abrir

o capital."


No país, o search fund é constituído como um fundo de investimento em

participações (FIP). Bruschini explica que a SFCB participou de seis

operações de aquisição e atualmente assessora dez search funds no

pals, constituídos nos últimos Cinco anos. "Nós temos feito a

estruturação dos veículos e conduzido a negociação com as candidatas,

incluindo memorando de entendimentos, 'due diligence', contrato de

compra e venda e acordo de acionistas."


Bruschini lembra que a segunda aquisição feita por um search fund no

pais ocorreu apenas em 2018. Foi a compra da plataforma de serviços de

seguros i4PRO pela Angulo Capital. "De lá para cá, a empresa tem

crescido muito com a expertise trazida pelo [atual CEO] Rafael Araujo,

com passagem pelo Pátria", afirma.


De acordo com o socio da SFCB, o ecossistema atual de search funds no

Brasil "tem entre 30 e 40 investidores ativos, que tendem a entrar em até

15 neg6cios". Os alvos, em geral, são empresas familiares consolidadas,

que podem entrar em um ciclo de alto crescimento com o aporte de

capital e conhecimento trazido pelos fundos. "Quando a operação é

concretizada, um profissional altamente qualificado entra na empresa

que já tem histórico e, com isso, vai trazer governança, 'expertise' e levar

a organização a um crescimento muitas vezes exponencial."


Os principais desafios nas negociações, afirma o especialista, são a

heterogeneidade do perfil das empresas buscadas e as "peculiaridades"

dos grupos familiares. "Tem muito negócio que cresceu de forma

orgânica, mas sem estrutura robusta de governança e compliance. Isso é

relativamente comum em empresas controladas por uma família."


O contrato de aquisição, explica o sécio da SFCB, normalmente prevê

uma espécie de bônus de avaliação atrelado ao desempenho do negócio,

que pode ser pago aos vendedores um ou dois anos após a conclusão da

aquisição. "Há um percentual, normalmente entre 20% a 30%, que é o

'earn out' [ganho extra aos vendedores em fusões e aquisições com base

no desempenho após a aquisição], atrelados a métricas de faturamento

ou crescimento."

De acordo com Bruschini, a faixa de negócios dos search funds no Brasil

tem se situado entre R$ 80 milhões a R$ 150 milhões. "A expressiva

maioria dos negócios feitos ou sendo conduzidos está nesse intervalo",

diz.

O especialista afirma ainda não ter havido caso de saída de search fund

no pais. "A tendência é que saídas comecem a ocorre em breve. A

pandemia talvez tenha dado uma atrasada. O ideal é que seja um IPO

[oferta inicial de ações], mas isso depende da janela de mercado e da

tese. E há ainda fundos de private equity que podem se interessar em

pegar a empresa no estágio atual e levar ao IPO."

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